Doce Primavera – 1ª Parte: O acaso surpreende

Foi rápido, tão rápido que às vezes nem parece ter acontecido, mas não pude evitar, aconteceu. Embora achasse estar pronto para o acaso, me senti completamente despreparado.

Aconteceu e foi forte, imprevisível. Estava nos últimos meses do ano, embora torcesse para que acabasse rápido, em algumas semanas queria que demorasse por mais uns meses, anos talvez… Mas o tempo não pára até que coloquemos nossas dúvidas e receios de lado ou que façamos do nosso medo de tentar a coragem para conseguir.

Aquela garota… Parecia mais uma, uma, como muitas outras. Terminando o colegial e como muitas, estava pronta para fazer escolhas, encarar novos desafios, enfim… Sempre transparecia tranquilidade, sempre muito atenciosa com os amigos, meiga, carismática, sincera. Nem de longe pensei que fosse ficar envolvido, balançado, sem nem questionar o “por quê” de me sentir completamente atraído.

Aquele “quê” de curiosidade foi ficando mais forte. Ela, simplesmente linda. Mas não era exibida, nem retraída, só espontânea por dentro e por fora. Aspirando amigos por onde passasse, não precisa se esforçar para agradar as pessoas, é simples, encantadora, perfeita…

Precisava me expressar de alguma maneira, dizer o que sentia. Para alguns próximos a mim estava indo muito rápido, tinha que ganhar a sua amizade, ter a confiança dela, mostrar quem eu era. Mas não conseguia, me sentiria mal por isso, seria como me aproximar por puro interesse. É, eu sei, a paranóia já estava tomando conta de mim: imaginando o que ela pansaria antes mesmo de tentar. Foram alguns dias tentando me aproximar.

Encontros programados ia à biblioteca várias vezes só para passar próximo à sua sala; acenos, aguardava a sua chegada por apenas um “oi”, e ficava delirantemente feliz com isso. Já ia me iludindo facilmente…

Era chegado o momento. Tinha que lhe falar o que estava sentindo, tão confuso, precoce, queria dizer no primeiro instante “eu te amo”, mas disse apenas que estava gostando dela. Ela, risonha, não entendeu nada, ou tudo. Mas o “banal” tinha que aparecer: Ela só me via como amigo. Por hora, tinha que me contentar, ou no máximo sentir-me agraciado pela nova amizade.

(…)

4 comentários até agora

  1. Garota das Laranjas on

    falaram bem de você pra mim e vim confirmar;

    fato é que invejo vocês que têm esse talento de combinar bem as palavras…

    será um prazer voltar aqui pra terminar de ler Doce Primavera (:

  2. Pelvini on

    curti Doce Primavera, soa tão confessional e sincero.

    mas, se termina com (uma possível) decepção, porque essa primavera é doce?

    abraços, colega escritor (:

  3. brunomarcelinosales on

    Não é bem uma decepção. Talvez tenha me decepcionado sim, mas comigo mesmo, pois acho que não soube me expressar, fui fraco. Mas ela é doce sim porque apesar de ser real me fez sonhar, me deu esperança, como nunca tive antes.
    E ainda faltam algumas partes…

  4. Pelvini on

    que venham as partes seguintes, então (:


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